25/03/2026 - Operação Car Wash: Justiça condena 20 pessoas por lavagem de dinheiro
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo condenou 20 pessoas por envolvimento em um esquema criminoso de lavagem de dinheiro com carros de luxo e tráfico de cocaína com adição de cafeína para ampliar a produção da droga.
A quadrilha chegou a movimentar R$ 60 milhões em cinco anos e alguns dos integrantes moravam em condomínios em Rifaina (SP) e na zona Sul de Ribeirão Preto (SP), região nobre da cidade.
As penas variam de quatro a 34 anos de prisão e foram determinadas de acordo com a atuação de cada um dos condenados dentro do grupo. A decisão foi proferida na terça-feira (24).
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Allan Tadashi, apontado como o chefe do esquema, foi condenado a 34 anos e quatro meses de prisão. Ele está preso desde o início da Operação Car Wash, que desmantelou a quadrilha, e morava em um condomínio na zona sul de Ribeirão Preto.
Nevanir de Souza Neto, apontado como um dos financiadores da quadrilha, foi condenado a 21 anos, quatro meses e 20 dias. Roger Martins e Antão Viana Júnior, condenados a 22 e 18 anos, respectivamente, são apontados como os principais fornecedores de cafeína no esquema criminoso.
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Os quatro são considerados os cabeças da quadrilha e todos terão de cumprir as penas em regime inicialmente fechado.
A decisão da Justiça ainda determinou a incineração dos entorpecentes apreendidos durante a Operação Car Wash, que descobriu o esquema criminoso.
Allan Tadashi, Antâo Viana Júnior, Nevanir de Souza Neto e Roger Martins foram condenados por lavagem de dinheiro e tráfico de drogas em Ribeirão Preto, SP
Reprodução/EPTV
O que dizem as defesas
A advogada Eloraine Luchesi, que defende Roger Kühl Martins, disse que a sentença de primeira instância é desproporcional e desconsiderou critérios legais essenciais na fixação da pena. Eloraine disse que Martins é primário, possui bons antecedentes e não tem histórico criminal. A defesa vai recorrer.
Advogado de Nevanir de Souza Neto, Julio Mossin informou que vai recorrer da sentença.
As defesas de Allan Tadashi e Antão Viana Júnior não comentaram o assunto até a última atualização desta matéria.
O esquema
O grupo envolvido em um dos maiores esquemas de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na região atuou de 2019 a 2023 e incluía, segundo a Polícia Federal, uma rede de integrantes que se dividiam entre as funções de fornecer a substância química usada para "batizar" a droga, financiar o tráfico e lavar o recursos financeiros por meio do comércio de carros de luxo.
As investigações apontaram que o grupo utilizava cafeína para ampliar a produção de cocaína e chegou a movimentar R$ 60 milhões em cinco anos.
O dinheiro obtido pela quadrilha era utilizado em um esquema de lavagem, envolvendo a compra e a venda de carros de luxo esportivos, avaliados de R$ 800 mil a R$ 1 milhão cada.
Com o dinheiro obtido com o esquema, os fornecedores e os financiadores também bancavam casas em condomínios fechados.
Por meio das trocas de mensagens, a PF identificou um esquema formado por Allan Tadashi e Nevanir de Souza Neto para facilitar a lavagem do dinheiro movimento pelo tráfico a partir da compra e da venda desses carros de luxo.
Segundo as investigações, os dois agiam para adulterar a quilometragem dos carros, ou seja, diminui-la, assim, conseguindo preços melhores.
Carro de luxo apreendido na Operação Car Wash em Ribeirão Preto, SP
Valdinei Malaguti/EPTV
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